Juliana Nogueira
TEMA: "A CULTURA AFRO BRASILEIRA E SUA INFLUÊNCIA EM NOSSO COTIDIANO"

 
     07 de outubro de 2011

Galera, esse será o tema de nossa "V Mostra de Talentos". Nossa equipe de professores está bastante envolvida e irá trabalhá-lo das mais diversas formas.
     A contribuição do negro para a cultura brasileira vai além da povoação e da prosperidade econômica através do seu trabalho. Vindos de diversas partes da África, os escravos negros trouxeram suas matrizes culturais e transformaram a vida da sociedade brasileira.
     Pretendemos através da nossa Mostra, falar um pouco desta imensa contribuição para nossa vida cultural. 
     Vocês encontrarão aqui, várias postagens de seus professores sobre este tema,além de ampla discussão em sala de aula . 


 Mostre seu TALENTO!

     Estamos aguardando a sua inscrição.

Patricia Nogueira-Coordenadora Pedagógica
Alexandra Ferreira
A valorização de toda é qualquer cultura é sempre muito importante, pois só se aprende a respeitar a diversidade quando se conhece e respeita a cultura do outro. Cultura é muito mais do que as superficialidades folclóricas e comportamentais que por muitas vezes servem para estereotipar determinados grupos. Entretanto, como a temática da nossa mostra de talentos é a valorização da cultura negra e africana, focarei as postagens sobre este assunto nas temáticas que envolvem a cultura negra no Brasil, na América e no continente africano.

Vamos analisar e comentar a letra da música Canto Das Três Raças, interpretada por Clara Nunes e composta por Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro.


Canto Das Três Raças


Ninguém ouviu

Um soluçar de dor

No canto do Brasil


Um lamento triste

Sempre ecoou

Desde que o índio guerreiro

Foi pro cativeiro

E de lá cantou


Negro entoou

Um canto de revolta pelos ares

No Quilombo dos Palmares

Onde se refugiou


Fora a luta dos Inconfidentes

Pela quebra das correntes

Nada adiantou


E de guerra em paz

De paz em guerra

Todo o povo dessa terra

Quando pode cantar

Canta de dor


ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô


ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô


E ecoa noite e dia

É ensurdecedor

Ai, mas que agonia

O canto do trabalhador


Esse canto que devia

Ser um canto de alegria

Soa apenas

Como um soluçar de dor





Viva a música brasileira! A música da mistura!
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Anônimo
Bom dia! Quero apresentar pra vocês o Jongo. Ouviremos falar muito sobre ele daqui pra frente nas aulas de História e Geografia. Pra começo de conversa, segue um texto retirado do site do Grupo de Cultura Popular Pé de Chinelo que conta um pouquinho da sua história.

JONGO OU CAXAMBU (DANÇAS DE UMBIGADA)

"dá uma beirada, compadre..."

O jongo ou o caxambu, como também é conhecido, pode ter vindo da região de Angola, trazido pelos negros que vieram forçados a trabalhar nas fazendas cafeeiras da região centro-sul do Brasil. Os negros de Angola já tinham tradicionalmente as danças de umbigada, muito comuns na região Congo-Angola, uma das mais conhecidas é o semba, que, em dialeto quimbundo, significa umbigada.
A umbigada é uma característica do Jongo, e também se faz no semba, no samba-de-roda, no tambor-de-crioula, no lundu, na pernada, no batuque, no coco e em outras danças que provavelmente podem ter sido trazidas e/ou transformadas aqui pelos escravos angolanos.

Os escravos, na maioria das vezes, reuniam-se nas noites de festa dos santos católicos, provavelmente pelo fato de, na mesma data, os senhores seus participarem de festejos em igrejas.
No jongo, apenas aos mais velhos era dado o direito à participação, pois os jongueiros disputavam sabedoria através dos cantos e/ou pontos, usando para isso uma linguagem cifrada (gíria), para dificultar o desvendar do ponto.
Nos terreiros, como é chamado o espaço onde acontece a roda, acendia-se uma fogueira, que servia para esquentar os jongueiros, esquentar o couro dos tambores quando ficavam roucos e também para assar batatas e amendoim.
Normalmente, é tocado por dois tambores, um mais grave, geralmente chamado de caxambu ou tambu, e um mais agudo, também chamado de candongueiro. Em alguns lugares, também é tocado com um chocalho chamado de guaiá e, ainda, uma espécie de cuíca (mas que produz um som rouco), chamada de angoma-puíta, muito conhecida também como tambor onça ou roncador, muito comum nas manifestações de boi, principalmente no bumba-boi maranhense.

As letras dos cantos ou pontos de jongo relatam principalmente o cotidiano desse povo. Usam, para começar o jongo, ponto de abertura, saudando em geral o santo do dia e outras entidades; em continuidade, o cantador segue louvando o lugar, os jongueiros antepassados, o anfitrião (trata-se do jongueiro mais velho do lugar, geralmente o mais sábio também) e a todos que ali se encontram. No decorrer da noite, os jongueiros entoam cantos para alegrar e descontrair as pessoas, mas, de vez em vez, um deles manda um ponto a ser decifrado e os demais vão repetindo o canto até que algum jongueiro decifre e desate o ponto. Em outros casos, acontecia também o momento de encante, magia ou feitiço que algum jongueiro lançava sobre outro a quem ele queria enfeitiçar. Muitos contam que, se o jongueiro enfeitiçado não decifrasse o ponto, ele poderia desmaiar, passar mal ou até mesmo morrer; contam também que plantavam bananeiras que, ainda na mesma noite, dava fruto e alimentava aos jongueiros dali.

Ao final da roda de jongo, quando o dia ia amanhecendo, despediam-se uns dos outros e também saudavam a chegada do novo dia, e retornavam a sua jornada de trabalho escravo nas fazendas de café; "auê meu irmão café... mesmo usados, moídos, pilados, vendidos, trocados, estamos de pé, olha nós aí meu irmão café..." (letra da música "Jongo do irmão café", de Wilson Moreira e Nei Lopes)


"machado!"

Edgard Freitas


Segue link do site do Grupo de Cultura Popular Pé de Chinelo. Lá vocês podem encontrar muito mais!


Beijinhos da Professora Liliane.
Até a próxima!